Entenda, nesse artigo, um pouco sobre as diversas formas de ataque a empresas e PCs em geral
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Até bem pouco tempo atrás, o combate ao software malicioso (malware) se
limitava ao controle de vírus, worms, além de alguns tipos de spywares
que buscavam entender o comportamento de navegação dos usuários na
internet. O principal desafio, até então, era entender a diferença entre
vírus e worm, lembrando que o vírus normalmente está associado a uma
ação do usuário e depende de um vetor externo de propagação (dentro de
um arquivo executável, um arquivo DOC, etc). Já o worm possui a
característica de se propagar sozinho pela rede, normalmente através da
exploração de uma vulnerabilidade, seja no servidor ou em um equipamento
de usuário.
Para que seja possível o bloqueio deste tipo de
artefato malicioso é necessária existência de uma assinatura (em
antivírus ou regras para os IPS de nova geração) que permita a
identificação e bloqueio, de tal forma a impedir a contaminação de um
servidor. Aliás, esta é uma das grandes mudanças de paradigma que
enfrentamos hoje em dia, onde o servidor não é mais o alvo favorito
destes tipos de praga virtual. O que acontece com frequência cada vez
maior é a exploração da máquina do usuário, o que chamamos de"client
side attacks". Nesse tipo de ataque, o importante é explorar
vulnerabilidades existentes no browser do usuário (Internet Explorer,
Firefox, etc) ou em aplicações que são instaladas nestes equipamentos
(especialmente Flash Player, Adobe Acrobat Reader).
As empresas
normalmente se preocupam muito com a aplicação de patches de segurança
nos servidores, além da utilização de ferramentas de proteção do
perímetro, como Firewall, IPS, Filtro de Conteúdo etc, porém muito pouco
é feito para manter atualizados os equipamentos dos usuários. A
utilização das ferramentas de segurança aliada a uma correta política de
segurança, monitoração constante do ambiente, treinamento da equipe
quanto às técnicas de ataque e defesa (sim, isso é fundamental),
certamente ajuda muito no combate às diversas pragas virtuais.
É
muito importante nunca esquecer os equipamentos que permitem mobilidade
(laptops, celulares, tablets) e que, ao mesmo tempo, ampliam o conceito
que temos sobre perímetro externo. Uma vez que esses dispositivos
móveis estejam fora da rede corporativa, todas as defesas existentes na
rede da empresa desaparecem e eles passam a vivenciar um risco bem
maior. Exemplos não faltam: equipamentos utilizando redes wi-fi em
locais como aeroportos, redes de hotéis, sem contar quando deixamos o
filho instalar algum jogo ou baixar algo em redes de Torrent.
Como se já não bastasse a salada de siglas que somos obrigados a
memorizar (vírus, worm, spyware, trojan, phishing, etc), agora, ainda
temos o "tal" de APT (Advanced Persistent Threat). Um nome novo para
técnicas antigas.
A grande diferença do APT em relação ao que
já existia é que: ao invés de um email genérico sobre viagra - ou sobre
aquele príncipe africano - que precisa da SUA ajuda para retirar a
fortuna dele do país, no caso de um APT, temos a utilização de um Spear
Phishing. Spear Phishing é um ataque direcionado para o
funcionário/usuário que trabalha na empresa-alvo. Uma vez que esse
funcionário execute o arquivo ou de alguma maneira contamine a máquina,
esse equipamento e a rede da empresa passam a ser controlados
remotamente.
Definitivamente, não é difícil elaborar um ataque
direcionado. Basta uma procura no Google por @suaempresa.com.br para
verificar a quantidade de e-mails que são enviados para grupos de
discussão,etc. Alguns anos atrás, em um teste de invasão realizado em um
determinado cliente, foi possível identificar um usuário da rede que
participava de um grupo de discussão sobre Cristianismo. Não preciso nem
dizer qual foi a efetividade de enviar para este usuário um link para
fazer download de uma novíssima versão eletrônica da bíblia (devidamente
preparado para controle remoto do equipamento da vítima, é claro). Ou
seja, basta utilizarmos algum assunto que atraia o interesse deste
usuário (funcionário). As chances são quase de 100% de que ele clique ou
execute algo.
Para resumir, não existe uma fórmula mágica que
permita evitar todos os ataques mencionados, mas certamente podemos
elencar algumas recomendações básicas:
1. Monitore, monitore e
monitore. Se possível, também monitore. Uma equipe bem treinada e que
tenha o ferramental certo de coleta e correlação de logs, certamente
poderá identificar anomalias de tráfego na rede, e que podem representar
a existência de um APT;
2. Tenha as ferramentas certas: SIEM, IPS,
Firewall, Filtro de Conteúdo e AntiSPAM, Antivírus (sim, são úteis e
importantes também), AntiMalware (especialmente aquelas que entendem
comportamento anômalo);
3. Tenha uma política rígida de gestão de
vulnerabilidades. É fundamental manter o ambiente atualizado. Sim,
sabemos que existem ataques que exploram as vulnerabilidades 0-day, mas é
possível assegurar que representam um universo bem pequeno dos ataques.
Ainda existem máquinas que são contaminadas na Internet por culpa do
usuário ou da empresa que não aplicaram um simples patch;
4. Equipe
treinada é equipe motivada. O assunto Segurança da Informação é bastante
abrangente e estimulante. O outro lado é altamente motivado e troca
informações o tempo todo. Se sua empresa não pode contar com uma equipe
preparada para tal, contrate uma empresa que possa e mantenha um SLA
rígido;
5. Nunca negligencie o Endpoint. Antivírus é importante mas
não pode ser a única camada de defesa em um desktop/laptop/tablet. Cada
vez mais os ataques se utilizam de técnicas que mascaram sua presença e
ferramentas que são baseadas somente em assinaturas não podem
identificá-las.
Paulo Braga (Engenheiro de segurança da
Sourcefire e possui mais de 20 anos de experiência em tecnologia da
informação, sendo 12 anos dedicados ao tema Segurança da Informação.)
Fonte: Olhar Digital